Lição 13 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
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Lição 09 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
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Lição 08 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
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Lição 07 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
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Lição 06 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
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Lição 05 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013 1 comentário
Lição 04 - Lições Bíblicas - CPAD - 1º trimestre 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 Seja o primeiro a comentar!
Faça um tour na minha biblioteca com o pastor Alexandre
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013 Seja o primeiro a comentar!
Lições Bíblicas do 1º trimestre de 2013 e livro do trimestre
segunda-feira, 13 de agosto de 2012 Marcadores: Vida Cristã 1 comentário
Acompanhe no site: www.cpadnews.com.br ou youtube um resumo que eu fiz de cada uma das Lições Bíblicas da EBD do 1º trimestre de 2013.
C
Pentecostalismo - do espiritual ao místico
segunda-feira, 23 de abril de 2012 Seja o primeiro a comentar!
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| Atualidade dos dons espirituais! |
Eu tinha apenas dezoito anos quando me converti em uma igreja pentecostal. Como pentecostal passei a conviver com as manifestações do Espírito Santo ainda nos meus primeiros anos de minha fé. Fui ensinado que havia uma experiência pentecostal denominada de batismo no Espírito Santo e que a mesma era evidenciada pelo falar em línguas desconhecidas! Vi minha irmã mais velha testemunhar que quando o pastor orava por ela para a cura de uma enfermidade, ela fora cheia do Espírito Santo. Contou que assim que o pastor a tocou com o óleo da unção ela recebeu algo como uma descarga elétrica e passou a falar em uma linguagem desconhecida! Vi irmãs do círculo de oração da igreja profetizarem em diferentes situações.
Essas experiências aguçaram o meu desejo pelas coisas espirituais e impulsionaram a também querer o batismo pentecostal. Não muito tempo depois disso eu também fui cheio do Espírito Santo e falei em línguas desconhecidas. Algum tempo depois quando orava buscando a orientação de Deus para minha vida espiritual fui tomado pelo Espírito Santo e passei a falar em uma língua desconhecida. Fiquei totalmente absorvido naquela experiência. Pela primeira vez na minha vida eu interpretei aquilo que estivera falando em línguas. Naquela interpretação, o Senhor disse-me “Eu tenho uma aliança ministerial com você”. Oito anos depois daquela experiência eu fui designado como evangelista de tempo integral. Em uma outra ocasião eu estava participando de um retiro de carnaval com a minha esposa quando ela foi cheia do Espírito Santo passando a falar em uma linguagem desconhecida. Quando eu me aproximei dela e ouvi suas expressões em línguas o Senhor me deu a interpretação daquelas palavras: “A sua esposa é como a coluna de uma ponte em tua vida”. Para que eu não tivesse nenhuma dúvida que era Ele quem estava falando, um irmão que se encontrava distante e que não sabia do que estava ocorrendo naquele momento, se aproximou e disse: “O Senhor te manda dizer que a tua esposa é uma coluna na tua vida”. Hoje eu sei que aquelas palavras eram fieis e verdadeiras, pois a minha esposa é uma coluna forte em meu ministério!
As experiências passaram a acontecer de uma forma natural, mas não corriqueiras! Todavia nos momentos de conflitos espirituais sempre ouvi o Senhor me falar. Certa vez no meio de uma luta espiritual, quando já estava me dando por vencido, fui despertado na madrugada com uma voz chamando pelo meu nome. Eram aproximadamente quatro horas da madrugada! Levantando-me da cama e dirigindo-me para a cozinha senti como se alguém falasse no meu interior: “Eu quero falar com você”. Imediatamente percebi que as palavras “Salvou-se a nossa alma como um pássaro do laço dos passarinheiros. Quebrou-se o laço e nós nos vimos livres” (Sl 124.7), começaram a fluir na minha mente. Tão logo aquelas palavras do Salmo veio-me a mente, senti o Senhor falando no meu interior. Era como se alguém estivesse ao meu lado dizendo: “O laço foi quebrado, você está livre. Vá e faça a obra de teu Senhor”. A partir daquele momento a batalha estava ganha, o Senhor havia me dado a vitória!
Há muitas outras experiências pentecostais testemunhadas pelo povo pentecostal que são provas inequívocas da atuação dos Espírito Santo em nossos dias.
Aquilo era Eu!
John Wimber, por exemplo, um dos principais nomes do Movimento da Terceira Onda, conta que durante o seu ministério convidou um evangelista para ministrar em sua igreja. O evangelista se ateve ao texto bíblico durante o seu sermão de forma que nada de extraordinário aconteceu até o momento que ele fez uma oração final já no encerramento do culto. Wimber conta que tão logo o evangelista terminou a sua oração e quando ele abriu os olhos, ficou estupefato com a cena que presenciou – havia dezenas de pessoas caídas ao chão. Wimber narra que o evangelista não fizera nada de extraordinário muito menos havia induzido os presentes a experimentar aquilo. Temendo pela sua reputação, Wimber diz que não conseguiu dormir durante aquela noite de tal forma que as seis horas da manhã ele ainda estava acordado!. Foi naquele momento que ele recebeu um telefonema de um pastor amigo seu e que morava em um outro estado. O pastor limitou-se a dizer que havia sido despertado durante a noite com uma frase em mente e que possuía uma convicção interior que deveria dizer aquelas palavras a Wimber. Ele mesmo não sabia o sentido daquela frase, mas ele tinha certeza de que Wimber saberia. Após explicar os motivos que o levaram a ligar tão cedo para Wimber, o amigo reproduziu a frase que o Senhor mandara dizer a Wimber: “Aquilo era Eu”. Nesse momento Wimber conta que caiu o fardo da preocupação e passou a ter consciência da ação do Espírito Santo.[1]
Esse fato não deve servir de argumento para justificar bizarrices da teologia do “cai cai”, mas para mostrar como o Espírito Santo se move no meio pentecostal. Em um outro capítulo deste livro voltarei a escrever sobre o equilíbrio que se deve ter no exercício dos dons espirituais.
A luz que vem do alto!
Por outro lado, Jack Hayford, pastor da igreja do Evangelho Quadrangular nos Estados Unidos e escritor mundialmente conhecido, conta que certa vez fazia um vou ao lado de um executivo quando sentiu que o Senhor falava-lhe algo. Hayford percebeu o Espírito Santo orientando-lhe a se comunicar com aquele estranho em línguas desconhecidas. Para não parecer que estava sendo inconveniente e mesmo bobo, Hayford perguntou-lhe se ele se incomodava pelo fato dele lhe dirigir a palavra em uma outra língua. A resposta foi negativa. Foi então que Hayford passou a falar em sua língua desconhecida que costuma usar em sua vida devocional. Todavia ele tinha falado poucas palavras quando sentiu que os fonemas passaram a ser ditos em uma outra língua, diferente daquela que ele costumava falar na sua vida privada de oração. Querendo saber o resultado daquilo, Hayford perguntou ao executivo se ele havia entendido o que dissera naquela língua. A resposta foi positiva! O executivo afirmou que Hayford havia falado em uma língua pré-kaiwoa, língua dos seus antepassados indígenas, e que a tradução era: “Olhe para a luz que vem do alto!” Era daquela forma que os ancestrais indígenas daquele executivo se referiam a Deus! Quando o executivo tomou consciência de que Jack Hayford não conhecia aquele idioma, mas falara sob inspiração do Espírito Santo, passou a ouvir com atenção a mensagem do evangelho.[2]
Um profeta no nordeste brasileiro!
O pastor Rayfran Batista, escritor e pastor na Assembléia de Deus maranhense, contou-me que está escrevendo uma biografia do missionário João Jonas (1886-1965). João Jonas foi um missionário húngaro, que professava a fé ortodoxa grega e que chegou ao Brasil em 1932.[3] No estado do Pará, João Jonas se converteu a fé pentecostal, posteriormente indo trabalhar como missionário nos estados do Maranhão, Goiás, Piauí e Bahia. Em 1933 João Jonas foi envidado como evangelista para o estado do Maranhão e foi nesse estado que o pastor Rayfran Batista encontrou um crente de nome “Miguel”, ex-companheiro de João Jonas em suas andanças no Maranhão.
Pois bem, Miguel que à época que concedeu a entrevista ao pastor Rayfran já estava com mais de 90 anos, contou que na verdade serviu de guia para João Jonas nas trilhas maranhenses. Foi em uma viagem missionária que Miguel vivenciou algo que marcaria a sua vida para sempre. Disse que nessa época ainda era um jovem, mas que sofria com uma doença nas pernas e que quando a viagem era longa a dor se agravava. Em um desses dias somente João Jonas seguia montado em um animal e Miguel caminhava logo à frente. Miguel disse que começou a sentir dores nas pernas e somente em seus pensamentos começou a murmurar: “Eu que sou doente das pernas caminho a pé e esse missionário segue montado”. Bem não terminara de pensar aquelas palavras, Miguel conta que João Jonas parou o animal e chamou-o, dizendo em seguida: “Miguel pare de pensar besteira e murmurar! Para que você saiba que eu sou homem de Deus, assim diz o Senhor: nunca mais sentirás dores nas pernas”. Miguel foi imediatamente curado!O pastor Rayfran contou-me que Miguel ainda se emocionava quando narrava aquelas palavras e naquela ocasião, já com o peso de quase um século, começou a pular e saltitar, demonstrando assim que de fato que permanecia curado pelo Senhor!
Dons regulamentados!
São experiências como essas que fazem o pentecostes ser almejado. Os pentecostais são conhecidos pela ênfase que dão aos dons espirituais. O Pentecostes bíblico foi marcado pelas manifestações do Espírito Santo (At 2.1-17; 8.17.18; 10.44-46; 19.1-6). O Pentecostes é sobrenatural. Fenômenos como o falar em línguas desconhecidas, profecias e cura divina sempre fizeram parte dos fenômenos pentecostais. A igreja de Corinto, por exemplo, viveu um Pentecoste dinâmico a ponto do apóstolo sentir a necessidade de por regulamento no exercício dos dons espirituais. Nessa carta encontramos o apóstolo Paulo destinando dois capítulos ao ensino regulamentador dos dons espirituais e um discorrendo sobre a lei que os deve reger (1 Co 12-14). A regulamentação não tencionava apagar os dons, mas ensinar o seu uso correto! Isso se fez necessário porque se pode abusar dos dons espirituais da mesma forma que alguém abusa das coisas materiais.
Pentecostes para pentecostais!
Esse é o lado bonito da história, mostrando a verdadeira espiritualidade do Movimento Pentecostal, mas também há um lado feio! Aquele onde o pentecostalismo deixa de ser espiritual para se tornar místico! Donald Gee, antigo escritor pentecostal inglês, já demonstrava preocupação com os rumos que o pentecostalismo começava a ganhar nos seus dias. Em uma das suas obras ele já denunciava a superficialidade da experiência pentecostal denominando-a de “decepcionante”. O seu desejo era que “Deus conserve o pentecostes pentecostal”.[4]
De fato o pentecostalismo contemporâneo perdeu muito daquela fragrância espiritual primitiva, passando a exalar o mau-cheiro do misticismo religioso! As vezes quando vejo certos programas pentecostais exibidos na TV fico pensando se não estou assistindo a uma sessão espírita! Em outras ocasiões tenho a impressão que os pregadores leram muito sobre a igreja medieval e agora estão copiando literalmente suas práticas – apenas com uma ressalva: dizem que pertencem à fé evangélica. Martin N. Dreher destaca, por exemplo, que o culto durante o período medieval se tornou em extremo místico:
“Vendiam-se desde bolinhas da terra com a qual Adão fora feito até cera dos ouvidos e leite da Virgem Maria, estrume do burro do estábulo de Belém, fios de cabelo e da barba do Salvador. Mostrava-se inclusive, o prepúcio circuncidado de Jesus. Ao todo, existiam nada menos do que 13 exemplares do prepúcio de Jesus em toda a Europa”.[5]
Esse misticismo foi uma marca inequívoca que o cristianismo afastara-se da Palavra de Deus. A luta dos reformadores foi no sentido de que a Palavra de Deus voltasse a ocupar o seu lugar novamente. Eles observaram que esse distanciamento das práticas bíblicas produziu seus efeitos colaterais, atingindo em cheio a moralidade da igreja bem como a sua Teologia. Ulrich Zuínglio (1484-1531) atacou duramente os ritos e tradições medievais do catolicismo bem como a corrupção moral e doutrinária da igreja. O seu anseio era que a igreja voltasse à sua simplicidade como era vista no Novo Testamento. Lutero testemunhou que Zuínglio limpou a igreja do “lixo cerimonial” e das “bobagens”. Paulo Anglada observa que Zuínglio:
“Destruiu os altares, as imagens e pinturas dos santos, e retirou o órgão da igreja. Para ele tudo o que não fosse ensinado nas Escrituras deveria ser eliminado do culto, visto que tem a tendência de afastar as pessoas da verdadeira religião. “Se você deixar os ninhos das cegonhas onde estão”, preveniu Zuínglio, “elas certamente voltarão para eles”.[6]
Outono na Idade Média!
Johan Huizinga, um dos maiores historiadores sobre o período medieval, observa:
“Há uma necessidade irrestrita de dar forma a tudo o que é sagrado, de dar materialidade às idéias religiosas, de modo que elas sejam impressas no cérebro como uma gravura de traços bem marcados. Devido a essa tendência à expressão pictórica, o sagrado é continuamente exposto ao perigo de ser petrificado ou de se exteriorizar demais”. [7]
O pentecostalismo contemporâneo há muito materializou o sagrado, bem como o tornou em extremo exteriorizado. O pentecostalismo contemporâneo ressuscitou o misticismo medieval. Temos um pentecostalismo totalmente petrificado por símbolos e imagens que lançam o devoto em uma verdadeira adoração idolátrica! Dessa forma é possível usar a “estrela de Davi” como um símbolo ou imagem para se alcançar a prosperidade; pode-se usar a água do Rio Jordão; o cajado do Salmo 23; os lenços ou tolhas do apóstolo Paulo, etc. O objetivo é colocar o fiel em contato com algo palpável, material e sensível e dessa forma ter sua fé estimulada. A fé sem dúvida é estimulada, mas é uma fé idólatra!
Ao observar que a vida da cristandade medieval é, em todos os aspectos, permeada de imagens religiosas, Johan Huizinga destaca:
“Não há coisa ou ação em que não se procure estabelecer constantemente uma relação com Cristo e com a fé. De fato, tudo está orientado para uma concepção religiosa de todas as coisas, em uma espantosa propagação da fé. Mas nessa atmosfera saturada, a tensão religiosa, a idéia de transcendência, o abandono da materialidade podem não estar sempre presentes. Na ausência desses elementos, tudo o que se destinava a estimular a consciência de Deus é enrijecido numa banalidade profana, num surpreendente materialismo envolto em formas elevadas”.[8]
Não é de admirar, como observa Huizinga, que os reformadores do século XV se opusessem a essa sobrecarga da fé. A fé estava inchada! As relíquias dos “santos” transformaram-se em amuletos e a simples oração foi coisificada nos rosários. A superstição parecia ser a ordem do dia. Acreditava-se, por exemplo, que ninguém podia ter um derrame (AVC) ou ficar cego durante uma missa e muito menos envelhecer! Havia imagens cujas barrigas poderiam ser abertas para que se contemplasse a Trindade que estava dentro delas! Huizinga comenta que a vida estava tão saturada de religião que a distância entre o terreno e o espiritual ameaçava ser perdida a qualquer momento.
A lógica dessa fé medieval fundamentava-se no argumento de que se poderia venerar as imagens, relíquias e lugares sagrados desde que isso pudesse fazer o devoto entrar em contato com Deus. Essa sem dúvida alguma é a mesma lógica usada pelo pentecostalismo contemporâneo que encontra-se impregnado de símbolos cujo fim é estimular a fé dos fieis. Somente a Bíblia não é mais suficiente.
As coisas do Espírito de Deus!
Assim como alguém pode se exceder no uso das coisas materiais, da mesma forma se pode abusar das coisas espirituais. Não há duvida que hoje presenciamos um abuso das coisas espirituais. Na primeira carta de Paulo aos Coríntios observamos que o apóstolo procurou regulamentar o uso dos dons espirituais na igreja a fim que se evitasse esses excessos das coisas espirituais. De fato a palavra grega pneumatikos usada por Paulo em 1 Corintios 12.1, e que em nossas Bíblias aparece traduzida como dons espirituais, literalmente significa coisas espirituais. Paulo sabia que alguém pode fazer mau uso das coisas espirituais. Nos capítulos 12 a 14 encontramos alguns princípios que nos ajudam a corrigir isso.
1. Não devemos ser ignorantes quanto das coisas espirituais (1 Co 12.1).
Uma coisa é alguém ver as manifestações do Espírito Santo, outra é fazer mal uso das mesmas por desconhecer sua dinâmica. É exatamente aqui que o pentecostalismo contemporâneo peca. Uso textos isolados da Escritura para justificar práticas místicas com a alegação de que é para estimular a fé dos fiéis.
2. As coisas espirituais podem ser abusadas (1 Co 14.32)
Paulo diz que “o espírito do profeta está sujeito ao próprio profeta” (1 Co 14.32), isto é, podemos controlar as operações do Espírito que opera em nós ou podemos abusar delas. Não é que controlamos o Espírito Santo, mas o nosso espírito humano que está sob a influência do Espírito Santo.
3. As coisas espirituais devem ser buscadas com racionalidade e entendimento (1 Co 14.29,40).
Os dons são espirituais, mas as suas operações devem ser orientadas por nossa racionalidade. Deus não anula a nossa razão nem tampouco quer que mergulhemos num misticismo divorciado da sua Palavra. Devemos buscar o discernimento do Espírito nesta era onde o misticismo impera!
(Texto extraido do meu livro:Rastros de Fogo (CPAD 2012)
[1] WHITE, John. Quando o Espírito vem com Poder. ABU Editora.
[2] HAYFORD, Jack. A Beleza da Linguagem Espiritual. Editora Quadrangular.
[3] ARAUJO, Isael. Dicionário do Movimento Pentecostal. Editora CPAD.
[4] GEE, Donald. Depois do Pentecostes. Editora Vida
[5] DREHER, Martin N. A Bíblia – suas leituras e interpretações na história do cristianismo. Sinodal.
[6] ANGLADA, Paulo. Introdução à Hermenêutica Reformada. Editora Knox.
[7] HUIZINGA, Johan. O Outono da Idade Média – estudo sobre as formas de vida e de pensamento dos séculos XIV e XV na França e nos países baixos. Ed Cosacnaify. 2010.
[8] Idem, pp.247, 248.
Ministério Pastoral: Vocação ou Profissão?
Texto extraido do meu novo livro: RASTROS DE FOGO
“Mas Eliseu disse ao rei de Israel: Que tenho eu contigo? Vai aos profetas de teu pai e aos profetas de tua mãe” (2 Rs 3.13)
Uma nova
profissão
Há algum tempo eu estava conversando com um colega, também
pastor, e ele me falava da tese que iria defender por ocasião de uma
pós-graduação na área do direito do trabalho. A tese intitulava-se: O Ministério Pastoral: vocação ou profissão?
Nas suas pesquisas ele havia encontrado na web
um farto debate em torno do assunto. Constatou que não havia ainda consenso
entre os juristas em torno do assunto, mas o debate apontava tendências. Alguns
acreditavam que o Ministério Pastoral era uma vocação e por isso mesmo não
devia haver vínculo empregatício entre pastor e igreja, mas por outro lado,
alguns juristas acreditavam que o trabalho exercido pelo pastor frente à sua
comunidade podia sim ser configurado como uma relação de trabalho e por isso
deveria ser regido pelas leis trabalhistas vigentes.
A tendência, porém, mostra que as leis trabalhistas estão
mais propensas a considerar a atividade do clérigo como uma profissão. As
sentenças favoráveis às dezenas de causas trabalhistas impetradas por pastores
contra suas igrejas e respectivas Convenções e Concílios parece não deixar
dúvida quanto a esse fato. Um grande número de pastores já se convenceu desse
fato e por isso mesmo estão procurando se organizar em torno de sindicatos. No
momento que escrevo esse livro dezenas de pastores estão reclamando na justiça
indenizações milionárias contra suas respectivas igrejas. O ministério
pastoral, sem sombras de dúvidas, está mais profissional do que vocacional!
Existem denominações pentecostais que já há muito tratam
seus pastores como simples empregados. Eles são assalariados e o seu vínculo
com a comunidade ou denominação é extremamente profissional. São tratados como
executivos de uma multinacional que gerenciam uma grande empresa ou uma filial
da mesma! Dessa forma o seu vínculo com a comunidade é extremamente
profissional, tendo como fator preponderante a produção de resultados! Eles são
remanejados quando as metas financeiras estipuladas pela diretoria geral para
aquela área, comunidade ou igreja não é alcançada. Assim quando são
transferidos de uma cidade para outra encontram um apartamento mobiliado, que
evidentemente não é dele, mas da igreja. Até mesmo o terno, gravata, sapatos,
etc, não lhes pertence e devem ser deixados quando é convocado para atender em
uma outra localidade! Enfim é um empregado como qualquer outro de uma grande
empresa!
Demitido por
justa causa
Há alguns anos um amigo meu, que até então fazia parte de
uma denominação dissidente do pentecostalismo clássico, me procurou. Estava
completamente confuso e desnorteado naquele momento. Contou-me em um tom de
pesar que acabara de perder a igreja que pastoreava! Como pentecostal fiquei
curioso e ao mesmo tempo preocupado, pois sabedor do nosso rígido código de
disciplina imaginei que o mesmo havia cometido alguma falha moral grave.
Imaginei que somente isso poderia afastá-lo da frente de sua igreja, pois eu
sabia que tanto ele como a sua esposa eram extremamente dedicados ao trabalho
evangélico! Vendo a minha preocupação ele tratou logo de me tranqüilizar dizendo-me
que não havia cometido pecado de adultério nem tampouco desviara dinheiro de
sua igreja. A diretoria de sua igreja já havia demonstrado descontentamento com
ele, pois segundo diziam, as metas financeiras estipuladas para aquela
comunidade não estavam sendo alcançadas por ele. Mesmo vendo o seu emprenho
diante da sua igreja e que aquela comunidade era formada por pessoas de baixo
poder aquisitivo, seus líderes o mandaram embora! Consciente de sua chamada
vocacional, meu colega procurou superar esse trauma fazendo parte de uma outra
igreja pentecostal. Foi ali que pela
primeira vez me dei conta que havia setores dentro do pentecostalismo que
haviam profissionalizado a vocação pastoral.
Pastores-executivos
Como pastor pentecostal e tendo livre trânsito nesse meio
fico preocupado com alguns comportamentos que julgo serem nocivos à nossa fé –
a tendência que cresce entre os evangélicos de considerar pastores como
executivos! Até mesmo os títulos de pastor-presidente, secretário executivo de
missões, bispo e apóstolo, que estão na moda no atual momento, já estão sendo
entendidos dessa forma. Não demonstram mais uma atitude de ajustamento ao
modelo de governo bíblico, mas uma forma de demonstrar status e destaque dentro do seu respectivo grupo. O título de
pastor parece ter ficado empobrecido e por isso se julga que deve ser
substituído por um outro mais chamativo. É embaraçoso e humilhante vermos os
crentes preocupados em não trocar os títulos dos seus líderes quando a eles se
dirigem! Observei durante um programa de televisão de uma dessas igrejas
neopentecostais que uma senhora estava visivelmente tensa quando quis chamar a
atenção do seu líder. Ela se dirigiu a ele primeiramente como “bispo”, mas logo
se deu conta que havia cometido um errado grave, e por isso tratou logo de se
corrigir chamando-o de “apóstolo”. Em uma outra ocasião eu encontrava-me em um
culto quando um pastor convidado chegou no templo e se dirigiu ao púlpito. Logo
após levantar-se da oração o dirigente do culto, confiando que o conhecia e que
eram amigos, dirigiu-se a ele apenas como “irmão”. Foi logo corrigido por
aquele obreiro que fez questão de dizer em voz alta e bom tom: “irmão não,
pastor!”. Fiquei pensando se pastor também não é irmão!
Essa tendência ao profissionalismo no meio pastoral ou ao
carreirismo como prefere Eugene Peterson é algo extremamente danoso para as
igrejas. Os pastores perdem aquela visão de servo para se ajustarem àquela do
profissional liberal. A propósito, Eugene Peterson ao comentar a fuga do
profeta Jonas para a cidade de Tarsis, destaca:
“Tarsis, uma fascinante carreira religiosa, não é o lugar
adequado para um pastor. Todavia, uma vez a bordo do navio rumo a Társis, é
difícil sair: as acomodações são agradáveis, os turistas do grupo são atraentes
– por que pedir algo diferente? Jonas foi lançado para fora. Se não houvesse
marinheiros para nos lançar, teríamos de nos forçar a pular. As conseqüências
quase que certa é o afogamento – carreiricídio”.
Jonas não se afogou, ele foi engolido por um grande peixe, e
assim foi salvo. Sua primeira reação a sua nova condição de salvo foi a oração
Esse é o cerne da história, localizado no ventre de um
peixe. O afogamento do carreirismo religioso é seguido pela ressurreição da
vocação pastoral. Tornamo-nos o que fomos chamados a ser por meio da oração”.[1]
Pastor de
aluguel!
A crise ministerial contemporânea assemelha-se àquela vivida
pela escassez sacerdotal no período dos Juízes. Como um período de transição
entre um governo tribal e a monarquia, os juízes tiveram de conviver com as
ameaças constantes de uma anarquia generalizada. O texto bíblico registra:
“Havia um
homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era Mica, 2 o
qual disse a sua mãe: Os mil e cem siclos de prata que te foram tirados, por
cuja causa deitavas maldições e de que também me falaste, eis que esse dinheiro
está comigo; eu o tomei. Então, lhe disse a mãe: Bendito do Senhor seja meu filho! 3 Assim,
restituiu os mil e cem siclos de prata a sua mãe, que disse: De minha mão
dedico este dinheiro ao Senhor
para meu filho, para fazer uma imagem de escultura e uma de fundição, de sorte
que, agora, eu to devolvo. 4 Porém ele restituiu o dinheiro a
sua mãe, que tomou duzentos siclos de prata e os deu ao ourives, o qual fez
deles uma imagem de escultura e uma de fundição; e a imagem esteve em casa de
Mica. 5 E, assim, este homem, Mica, veio a ter uma casa de
deuses; fez uma estola sacerdotal e ídolos do lar e consagrou a um de seus
filhos, para que lhe fosse por sacerdote. 6 Naqueles dias,
não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto. 7 Havia
um moço de Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita e se demorava ali.
8 Esse homem partiu da cidade de Belém de Judá para ficar onde melhor
lhe parecesse. Seguindo, pois, o seu caminho, chegou à região montanhosa de
Efraim, até à casa de Mica. 9 Perguntou-lhe Mica: Donde vens?
Ele lhe respondeu: Sou levita de Belém de Judá e vou ficar onde melhor me
parecer. 10 Então, lhe disse Mica: Fica comigo e sê-me por
pai e sacerdote; e cada ano te darei dez siclos de prata, o vestuário e o
sustento. O levita entrou 11 e consentiu em ficar com aquele
homem; e o moço lhe foi como um de seus filhos. 12 Consagrou
Mica ao moço levita, que lhe passou a ser sacerdote; e ficou em casa de Mica.
13 Então, disse Mica: Sei, agora, que o Senhor me fará bem, porquanto tenho um levita por sacerdote”
(Jz 17.1-13).
Este texto relata o ápice dessa crise. Nele podemos extrair
lições que servem para mostrar que uma crise institucional pode ter sérios
reflexos no ministério vocacional.
Em primeiro
lugar havia uma crise de modelos – “Naqueles dias,
não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto” (v.6).
Por natureza somos dependentes de modelos. Na nossa infância
eram nossos pais, professores ou até mesmo um amigo. Os modelos são necessários
e não há nada de errado em tê-los (1 Co 11.1)! O termo modelo traduz a palavra
grega paradigma, e mantém o sentido
em nossa língua de um referencial. Sem referenciais ficamos a deriva assim como
os israelitas beiravam o caos por falta dos mesmos. Quando um povo não possui
um modelo ou paradigma para seguir então ele corre perigo. Foi assim com os
israelitas no período dos juízes e parece ser assim com o atual movimento
pentecostal. Com um agravante – o nosso modelo pentecostal com seus ícones
existe, mas não está sendo copiado. Somente uma quantidade muito pequena ainda
o desejam! Abandona-se o modelo de
pentecostalismo bíblico para se abraçar os estereótipos.
O Pentecostalismo clássico foi rico em ícones e se tornou
referência de um cristianismo autêntico e dinâmico. Todavia o pentecostalismo
de hoje assemelha-se a Sansão com os cabelos cortados! Possuía a mesma
formosura, mas não a mesma força! Não andava mais com o poder que havia sido
dotado. Talvez seja por isso que se invista tanto me marketing nas igrejas
pentecostais na tentativa de se produzir aquilo que somente o Espírito Santo
consegue fazer!
Em segundo
lugar havia uma crise no ministério sacerdotal –
“Havia um homem da região montanhosa de Efraim cujo nome era mica (...)
consagrou a um dos seus filhos, para que lhe fosse por sacerdote” (v.1, 5).
Aqui não havia nenhum
respeito pelo ministério vocacional e o que determinava o exercício do
sacerdócio não era a vocação, mas a ocasião. Mica adorava a Deus e aos deuses
(v.5) e ele mesmo consagrou a um de seus filhos para lhe oficiar como
sacerdote! Possuía um sacerdote particular. R. N. Champlim observa que essa
passagem mostra que:
“ocorreram desvios idólatras que violavam o segundo
mandamento da lei de Moisés. Cf Juí. 8.27; Miq 1.7; 1 Rs 12 e 13. Yahweh estava
sendo cultuado, mas com o acompanhamento de ídolos e através de um sacerdócio
não-autorizado. Era uma situação própria do sincretismo, que de modo algum se
harmonizava com a legislação mosaica”.[2]
Quando o assunto é vocação pastoral, devemos observar o
binômio: vocação-qualificação. Há o perigo de termos um ministro vocacionado,
mas não qualificado como podemos tê-lo qualificado, mas não vocacionado.
Somente um ministro vocacionado e qualificado pode exercer a contento e com
êxito o ministério pastoral. No caso do filho de Mica ele poderia até mesmo ser
qualificado, mas não era vocacionado pela simples razão de não pertencer a
tribo de Levi – Mica era da Efraim! (v.1). Mica pareceu ficar incomodado com
esse fato, pois posteriormente consagrou uma outra pessoa, agora da tribo de
Levi, para lhe oficiar como sacerdote (Jz 17.12). Mas o problema não se
resolveu, pois se primeiramente temos alguém que poderia ser qualificado, mas
não era vocacionado, agora temos alguém que é vocacionado, pois pertence à
tribo de Levi, mas demonstra ser desqualificado – era um andarilho e que ficava
onde melhor lhe parecesse (v.8). Essa não era uma atribuição de um sacerdote
levita (Ex 28 e 29).
Algumas igrejas pentecostais parecem se preocuparem muito
com a vocação, mas negligenciam a qualificação! Por outro lado, há aquelas que
estão valorizando demais a qualificação e esquecendo a vocação. Em ambos os
casos estamos diante de uma anomalia. Vemos desfilando entre nós pastores que
demonstram não serem nem vocacionados e muito menos qualificados! Não se trata
de elitizar o ministério pastoral ou torná-lo eclético, não, nada disso! Mas
devemos nos preocupar com quem estamos mandando para a frente de nossos
púlpitos para pastorear a igreja de Deus. Um ministro desqualificado pode fazer
grandes estragos na igreja e da mesma forma um não-vocacionado.
Em terceiro
lugar havia uma crise de propósitos – “Sou levita de
Belém de Judá e vou ficar onde melhor me parecer” (Jz 17.9).
Era um sacerdote sem propósitos. O ministério sacerdotal
para ele era um meio e não um fim! Não possuía propósito algum em ser um
sacerdote! Apareceu a oportunidade e ele oportunamente abraçou. Há sites
pentecostais que oferecem, e em várias parcelas sem juros, o título de pastor.
Basta pagar e pronto: é pastor! Isso se parece muito com essas reportagens que
a TV faz sobre a venda da CNH (Carteira Nacional de Trânsito). Vemos pessoas
que jamais fizeram prova de legislação e muito menos de percurso receber a
habilitação para dirigir. São verdadeiras armas que se movem no trânsito! Qual
a diferença disso para o ministério pastoral? Apenas esta: enquanto um usa o
carro como arma para matar, o outro usa Bíblia! Cometerão crimes da mesma
forma!
Em quarto lugar
havia uma crise ético-moral (v.10,11 e 12; 18.4,
18,19 e 20)
Essa crise se
manifestava de três maneiras:
a)
Em
um ministério legal, mas não moral
Nem
tudo o que é legal é moral! Uma coisa pode ser amparada por um costume ou lei,
isto é, ter respaldo legal ou jurídico, mas mesmo assim não se enquadrar no
padrão estabelecido pelas Escrituras Sagradas! O divórcio, por exemplo, é
amplamente amparado pela legislação e é aceito pela sociedade como uma prática
normal. Todavia encontramos um sério conflito entre aquilo que preceitua a
Bíblia e o que diz a legislação (Mt 5.31,32; Mt 19. 1-12). Há pastores de
renome que afirmam que qualidade de liderança nada tem a ver com divórcio,
enquanto outros simplesmente ignoram o que diz a Escritura para se ajustar ao
modelo adotado pela sociedade secular. É evidente que devemos levar em conta as
exceções preceituadas na palavra de Deus, todavia jamais fazendo da exceção uma
regra (1 Co 7.15).
b)
Em
um ministério sacerdotal controlado pelas leis de mercado
A
razão do levita oficiar como sacerdote é dada por ele mesmo: “Assim e assim me
fez Mica; pois me assalariou, e eu lhe sirvo de sacerdote” (Jz 18.4). O pastor
que quer ser um ministro de Deus jamais deve condicionar o seu ministério à lei
da oferta e da procura. Às vezes determinadas ofertas são financeiramente
tentadoras, mas não são acompanhadas pela aprovação divina.
c)
Em
um ministério determinado pela posição e não pela unção –
“Entrando eles, pois, na casa de Mica e tomando a imagem de escultura, a
estola sacerdotal, os ídolos do lar e a imagem de fundição, disse-lhes o
sacerdote: Que estais fazendo? Eles lhe disseram: Cala-te, e põe a mão na boca,
e vem conosco, e sê-nos por pai e sacerdote. Ser-te-á melhor seres sacerdote da
casa de um só homem do que seres sacerdote de uma tribo e de uma família em
Israel? Então, se
alegrou o coração do sacerdote, tomou a estola sacerdotal, os ídolos do lar e a
imagem de escultura e entrou no meio do povo” (Jz 18.19,20).
O
texto diz que o Levita se alegrou porque seria sacerdote de uma tribo inteira e
não de uma casa apenas! Visivelmente possuía um ministério condicionado pela posição em vez de fundamentá-lo na unção. Nosso sistema de governo
episcopal possui suas vantagens, porém tem suas desvantagens. Uma delas está no
perigo de se viver em função do título! Esses títulos dão grandes honrarias
para quem os possui e por isso essas posições, que são biblicamente apenas
funções, são às vezes disputadas a tapas! Quando um obreiro dirige seu
ministério com essa atitude ele assemelha-se aquele homem que fez um esforço
enorme para colocar sua escada em uma parede muito alta. Quando chegou em seu
topo descobriu com enorme tristeza que havia posto a escada na parede
errada!
Blog do pastor José Gonçalves: A Missão Suprema da Igreja
segunda-feira, 5 de março de 2012 1 comentário
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